quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Água oxigenada

Postado por Gisele Moraes às 14:44 0 comentários Links para esta postagem

Você sabia que a água oxigenada não é só a melhor amiga das loiras de farmácia?
É sim amiga, a desprezada água oxigenada-H2O2, é muito mais útil do que você imagina e tem 1001 utilidades! Não aproveitamos nem 1% de seu potencial, coitadinha... e sabe porquê? Por falta de divulgação!
E porque não é divulgado? PORQUE NÃO DÁ LUCRO pra indústria farmacêutica, oras!



Mas pense num produto:

1- Barato
2- Eficaz
3- De fácil transporte
4- Fácil utilização
5- Sem efeitos colaterais

Não seria tudo de bom? Pois saiba que a água oxigenada é tudo isso!
Uma solução a 3% de H2O2 é um dos maiores desinfetantes que existem.

Veja como a água oxigenada pode ser bem utilizada em casa:

1- Uma colher de sopa do produto usada para bochechos e mantida na boca por alguns minutos, mata todos os germes bucais e ainda clareia os dentes! E agente paga uma nota por aqueles enxaguantes bucais que prometem matar os germes e clarear os dentes, não é?

2- Manter escovas de dentes numa solução de água oxigenada conserva as escovas livres de germes que causam gengivite e outros problemas bucais.

3- Um pouco de água oxigenada num pano, desinfeta melhor as superfícies que qualquer outro produto. Excelente para ser usada na cozinha e no banheiro.

4- Tábuas de carne, facas e outros são totalmente desinfetados após o uso com um pouco de água oxigenada. O produto mata qualquer germe ou bactéria, inclusive a perigosíssima salmonela.

5- Passada nos pés, à noite, evita problemas com fungos que causam mal cheiro (chulé) e frieiras.

6- Passada em ferimentos, várias vezes ao dia, ajuda na cicatrização e evita infecções. Já foram relatados até casos de gangrena que regrediram com seu uso contínuo.

7- Numa mistura meio-a-meio com água pura, pode ser pingada no nariz de pacientes com resfriado e sinusite. Assim ajuda a matar os germes e outros microorganismos oportunistas.

8- Um pouco de água oxigenada no banho de banheira ajuda a pele a se livrar de fungos e bactérias e assim manter-se mais saudável.

9- Roupas que precisam de desinfecção, como lençóis, toalhas, fraldas de pano e peças íntimas, podem ser totalmente desinfectadas se ficarem de molho por algum tempo com um pouco de água oxigenada misturada à água pura antes da lavagem.

10- Manchas de sangue em roupas são facilmente retiradas com um pouco de água oxigenada adicionada diretamente à peça. É muito útil quando sem querer manchamos a calcinha ou outra peça de roupa durante a menstruação. Fica branquinha!

Comece a utilizar mais este maravilhoso produto e, à partir destas dicas, com certeza você descobrirá mais e mais utilidades para a água oxigenada no seu dia a dia!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A ditadura da liberação feminina

Postado por Gisele Moraes às 08:00 4 comentários Links para esta postagem

Pensando sobre o papel da mulher moderna, me lembrei que, como todos sabem, no mundo muitas mulheres ainda vivem uma vida de submissão em relação aos homens, seja por fatores religiosos, culturais ou sociais (que geralmente estão atrelados). Nós, mulheres modernas ocidentais, gostamos de pensar que "nos liberamos", que conquistamos a tão sonhada liberdade através de esforços próprios. Hoje, a mulher moderna pode estudar e trabalhar fora de casa, usar roupas que deixam o corpo mais à mostra nas ruas, se dedicar à carreira, e já está até ocupando trabalhos que antes eram exclusivos dos homens, com muita competência.
Mas toda esta "liberdade" nos trouxe uma triste consequência: tivemos que nos transformar em "multi-mulheres". Já reparou que quando os homens escolhem um caminho na vida, logo abandonam outro? Eles fazem somente uma coisa por vez. Dificilmente se dedicam à carreira e aos filhos ao mesmo tempo, por exemplo. Se põem na cabeça que querem ser promovidos no trabalho, aquele passa a ser o foco principal de suas vidas. Filhos, esposa, casa... ah, tudo isso fica pra segundo plano... Mas com mulher é diferente. Se ela resolve se dedicar à carreira, se didica, mas sempre fica se sentindo culpada por não estar dando a atenção devida aos filhos, ao marido, à casa... Fica estressada porque a diarista não limpa a casa tão bem quanto ela... Se não tem filhos fica preocupada com o fato de o tempo estar passando e ela ainda não os têm... Se é solteira, mesmo que se mostre a mais durona das mulheres, no seu íntimo ainda sonha com o príncipe encantado (sonha sim, que eu sei!)...
E desse modo acaba tendo que se tornar a "Mulher Maravilha" para alcançar a excelência em todos os setores da vida, porque ela TEM que ser excelente em todos os setores da vida. Quer ser uma empresária de sucesso, mas de que vale se a vida sentimental é uma bosta? Quer escrever um Best Seller, mas como, se seus filhos estão com nota baixa na escola? Sendo assim, a mulher de sucesso não consegue se sentir um sucesso, pois ela assume várias responsabilidades que exigem dela nada menos que a excelência, justamente por ser mulher. Isso sem falar na ditadura da beleza, da magreza, da moda, do salto alto e outras tantas também impostas às mulheres. É um fardo muito pesado...

O fato é que os homens não ajudam a mulher moderna, não cooperam. Não se sentem na obrigação de ajudar, afinal, fomos nós que quisemos assumir tantas responsabilidades... Sendo assim, "se virem", pensam eles, sem a mínima dó.
A mulher moderna acha que se liberou, mas na verdade só assumiu mais e mais tarefas, pois não deixou de se sentir na obrigação de cuidar da casa, do marido e dos filhos. A Amélia não morreu, como queriam as primeiras feministas. A Amélia está ainda dentro de cada uma de nós. Ela só vestiu uma roupa mais moderna e agora possui mais funções.
E os homens? Continuam os mesmos de sempre. Muitos estão totalmente inseguros com esta nova situação, perdidos, assustados mesmo. Outros até ajudam, mas mais atrapalham. Outros estão, sim, se aproveitando e "obrigando" a mulher a trabalhar para "ajudar nas contas", sendo que muitas vezes é ela quem paga tudo mesmo ganhando menos. E eles estão cada vez menos românticos, menos cavalheiros e menos companheiros... Fugindo de nós como o diabo da cruz...
Que liberação é essa? Liberação uma ova!!! O que a mulher acabou fazendo foi se escravizar mais, visto que de qualquer forma não conquistamos o mais importante, que é a IGUALDADE. Antes tivéssemos lutado pela igualdade, que por esta falsa liberdade!
Na contramão disso tudo, muitas mulheres estão desistindo dessa falsa liberdade, e optando por voltarem para seus antigos papéis de dona de casa, esposa e mãe. E isso, sim é a verdadeira liberdade: poder escolher. A "liberação" não deveria ser uma imposição, uma ditadura, e sim uma escolha. A dona de casa de hoje não deveria ser discriminada, mas é, infelizmente, principalmente pelas que trabalham fora. É taxada de "Amélia" como um termo perjorativo, um xingamento, e como se ela fosse menor e sem valor. Dessa forma podemos notar que o preconceito e a desvalorização da mulher está presente também na própria mulher.
A verdadeira revolução e liberação tem que acontecer primeiro dentro da própria mulher, como um todo. Servir não significa ser submisso. Os grandes líderes também são na verdade grandes servidores da humanidade.
A verdadeira revolução e liberação só acontecerá quando a mulher se convencer do próprio valor, seja ela a presidente de uma corporação multinacional, a mãe solteira que estuda e trabalha ou a dona de casa tradicional.
Eu sei o meu papel social. E o melhor, fui eu que o escolhi. Sou a "Amélia"? Sou a " Kate Mahoney"? Não, nada de rótulos, por favor! Sou LIVRE, sou simplesmente MULHER!


(Eu com meus filhotes. Muito feliz!)



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Primeiro dia de aula

Postado por Gisele Moraes às 08:00 3 comentários Links para esta postagem




Acho que poucos devem ter o privilégio de se lembrar do primeiro dia de aula. Ou não? Se bem que no meu caso não sei se é um privilégio mesmo ou se eu preferia esquecer...
Lembro-me que sempre fui muito curiosa e sempre gostei de novidades, de aprender. Aos seis anos de idade, estava ansiosa para ir ao "parquinho", como era chamada a pré-escola na minha época de criança. Não tinha amiguinhos e as únicas crianças com as quais convivia eram minha irmã e meus dois primos. Fomos criados todos juntos pela minha avó, enquanto nossas mães tinham que trabalhar. Não tive uma infância de muitas brincadeiras, infelizmente. Minha avó era muito rígida e tínhamos muitas responsabilidades impostas, que incluíam limpar a casa e cuidar uns dos outros. Era assim: os mais velhos cuidavam dos mais novos. Brincar na rua nem pensar! Apesar daquela época não ser tão perigosa como hoje, minha avó dizia que brincar na rua era coisa de "criança largada".
Nosso praticamente único "passeio" era ir à missa aos domingos, e a escolinha onde eu iria estudar ficava ao lado da igreja. Eu até que gostava de ir à missa, mas uma criança de seis anos não tem concentração para aguentar aqueles rituais leeeeeentos por mais que dez minutos (e nem entende o porquê daquilo tudo). Então, quando meus familiares se distraíam durante as orações, eu sempre dava uma escapadinha para ir olhar o parquinho. Tinha balança, escorregador, gangorra, caixa de areia... Ah, como eu queria ir lá brincar!
Até que chegou o dia... Eu estava tão feliz! Tinha até ganho um livro de colorir de um primo. Estava preocupada porque não tinha lápis de cor, mas os adultos diziam que a "tia" ia me emprestar, que não era pra eu falar de novo neste assunto.
Quem me levou até lá foi minha tia mais nova. Quase todos os outros alunos estavam com o pai e a mãe, ou só com a mãe, mas como minha mãe trabalhava o dia todo... Bom, pelo menos não tive que ir sozinha...
Timidamente entrei na sala agarrada ao meu livrinho, e me lembrei que a vó tinha dito pra eu sentar perto da professora, que assim eu aprenderia mais. Ávida por aprender, avistei o lugar ideal!

Ficava perto da lousa, perto da tia! Não sei se ainda é assim, mas naquela época sentávamos em grupo, era uma mesa cor de laranja e quatro cadeirinhas em volta. Vi que duas meninas já estavam sentadas. Me aproximei e estiquei o braço para puxar a cadeirinha e me sentar, mas, inesperadamente, uma menininha petulante pulou na minha frente, puxou a cadeira pra ela e me disse com a cara mais feia do mundo (a qual eu nunca vou esquecer):"Sai daí que essa cadeira é minha!". Sem reação, segurei o choro e me calei... Mas me lembrei que a cadeira do lado estava desocupada. E, novamente, quando fui me sentar, ela me puxou pelo braço, me arrancou de lá e disse com a cara mais feia ainda (não me esqueço mesmo, nem que passe 100 anos...):"Quem vai sentar aí é minha amiga! Sai daqui que você não é minha amiga!" Menininha arrogante, petulante! Ela estava demarcando seu território, e não aceitava ninguém que não fosse do seu grupinho de menininhas frescas, nojentinhas e patricinhas. Como algumas crianças podem ser tão cruéis mesmo com tão pouca idade?


E eu o que fiz? Senti uma mágoa tão grande me apertando o peito... e só pude chorar! Chorar foi o que eu fiz! Por muito tempo depois me cobrei, me perguntei porque eu não me impus! Eu sabia que estava certa, tinha chegado primeiro, tinha o direito de me sentar lá onde eu queria. Mas não reinvidiquei meu direito... Não sabem como isso afetou o resto da minha vida. Por muito tempo depois fui excluída de vários outros grupos e acreditei que nunca mereceria o melhor lugar de nada... Afinal quem era eu? Ninguém! Nunca fui ninguém importante, até entender que só somos importantes para quem nos ama de verdade, mas isso demorou anos e anos para eu sacar.
Só sei que naquele dia eu chorei muito... um choro doído... de decepção, talvez por sonhar tanto com o parqinho, mas querer sumir de lá logo no primeiro dia...
Esperei por uns instantes vãos que a tia fizesse justiça por mim, e colocasse a petulantezinha em outro lugar e eu no meu lugar de direito. Mas não foi o que aconteceu... Ela me colocou lá no fundão. Viu que eu estava abraçada ao livro de colorir e me perguntou:"Você não quer pintar o seu livro?" Em meio às lágrimas, respondi que sim, mas que não tinha os lápis coloridos. Isso me fez chorar mais ainda... lembrar que nem como colorir meu livrinho eu tinha... eu era um "nada", mesmo, pensava... Foi então que a tia apareceu com uma caixinha de lápis de cor nas mãos: "Tome, não chore mais! São seus! Pode pintar o seu livro!" Ah! Eu parei de chorar na hora! Limpei o rosto com a manga da blusa e esqueci tudo aquilo num instante! As crianças até me olharam com ar de inveja, inclusive a nojentinha, por eu ter ganho uma caixa de lápis de colorir da professora, coisa que nenhum puxa-saco jamais conseguiu depois, hehe...
Não me lembro de muitos dias específicos seguintes, mas sei que logo me adaptei. Era desprezada pelo grupo das patricinhas e também dos meninos. Mas me acostumei com isso. Me lembro que depois fiz amizade com uma garotinha negra, que também era desprezada por ser sujinha e pobrezinha. Ela não era de falar muito, mas brincava comigo, gostava de mim e eu dela, e era isso que importava.

E como eu amei a pré-escola! Lá eu podia cantar, ouvir historinhas, pintar, desenhar, aprender e brincar muito no parquinho! Era tão diferente da vida em casa, onde eu não tinha nada disso...



Esta foi com certeza a melhor fase da minha infância!



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Só por esta noite

Postado por Gisele Moraes às 01:59 1 comentários Links para esta postagem




"É tão ruim não saber o que se quer da vida..." Pensava Karen no seu íntimo enquanto tentava dormir em sua desconfortável cama no quarto de empregada. 
A insônia lhe consumia e, mesmo com todos os músculos de seu corpo doloridos e cansados do esforço de mais um dia de trabalho, seus pensamentos agitavam sua cabeça como se estivessem numa festa have. Mas não eram pensamentos alegres... Eram pensamentos amargos... alucinados...
Karen era jovem, bonita. Uma beleza exótica que resultou da mistura de índios, negros e brancos, bem característica do Brasil. E como toda jovem vinda de família humilde, ela tinha sonhos; sonhos de uma vida diferente, com mais conforto, mais dinheiro, mais "glamour".
Desde que começou a trabalhar como doméstica na casa de ricos, ela viu que a diferença entre a sua vida e a de sua patroa era enorme. Antes, só tinha visto a vida dos ricos através das novelas. Mas estando ali, convivendo com eles e vendo todo conforto e facilidades que possuíam, ela logo "traduziu" que aquilo sim é que era vida! Mas, ao mesmo tempo que era grata por ter conseguido um bom emprego e ter saído da miséria em que se encontrava quando chegou na cidade grande, ela também sentia uma mágoa em seu coração, pois no fundo achava que merecia muito mais.
Para as pessoas de seu bairro e para seus familiares, Karen era uma sortuda. Tinha um bom emprego e não ganhava mal. Era moça trabalhadeira e estava noiva de Daniel, um bom rapaz que com muito esforço trabalhava numa fábrica, estudava à noite engenharia em nível técnico mas sonhava com o diploma universitário e, é claro, com o casamento com Karen, a quem ele amava sinceramente.
Mas para ela não parecia o suficiente... Ela amava Daniel, mas ultimamente andava confusa. Pensava na vida que teria com ele... Seria com certeza uma vida de sacrifícios, contando moedas e vales transportes... O que seria dos filhos? Escola pública... Hospital público... Filas e filas para só ouvir "não"... Olhar vitrines e passar vontade, tendo que dizer pra vendedora, toda sem graça: "Estou só dando uma olhadinha." E ficar com os restos (e olha lá) enquanto poucos aproveitam o que há de mais bonito, mais moderno, mais confortável e mais caro... "Não é justo!", pensava.
Não aguentando mais se debater na cama, ela se levantou e foi até a cozinha beber um copo d'água. "E pensar que meus patrões estão viajando, curtindo a vida... E eu aqui... Não é justo!" Como os outros empregados estavam todos dormindo, com passos pequenos e lentos ela se dirigiu até o quarto do casal. Se enfiou dentro do closet da patroa, admirando todos aqueles vestidos e sapatos que muito provavelmente ela jamais teria. Tirou da arara aquele que ela mais admirava e que parecia chamá-la: um tomara-que-caia vermelho... /sexy... /chique. Não resistiu e o vestiu. Pegou um lindo sapato que deixava os dedinhos de fora. Nem sabia o nome, mas com certeza era de grife e era isso que importava. Se olhou no espelho e se viu linda! Mas faltava algo... A maquiagem, claro! Resolveu também usar a maquiagem caríssima da patroa. Empolgada, carregou demais nos olhos e na boca, mas, como uma criança curiosa, estava brincando de descobrir um novo mundo. E nessa brincadeira ela foi usando tudo: acessórios, perfumes, até a langerie! Se olhava no espelho e adorava o que via; o tempo todo se imaginava no lugar da patroa.
Foi quando seus pensamentos começaram a explorar possibilidades perigosas. Pensou que poderia, sim, experimentar a sensação de ser rica nem que fosse somente por aquela noite. Animada com a idéia e sem pensar muito, resolveu colocar em prática seus pensamentos mais loucos. Tinha algum dinheiro, que daria pro táxi, para um drink e só. Seria algo inocente, pensava enquanto já éstava na rua, toda produzida. Seria apenas um drink num lugar agradável e só. Que mal teria? Depois era só lavar as roupas e a patroa nem notaria...
Dentro do táxi o motorista, de olhos arregalados com a exuberância da moça, perguntou qual seria o seu destino. "Onde você acha que uma garota assim como eu se diverte numa noite quente de sábado aqui na cidade?", respondeu incorporando uma personagem fictícia. Ele a olhou pelo retrovisor examinando bem o modo como estava vestida, a maquiagem carregada, e sem dizer nada, a deixou na porta de uma boate bem badalada. Ela gostou do lugar pois parecia ser o que ela procurava, com muitas mulheres e homens bonitos, parecendo se divertir bastante. Muitos "coroas", verdade, mas charmosos, parecendo serem "da alta".
Ao entrar na boate, enquanto passava sentiu muitos olhares masculinos em sua direção, e isso a deixou excitada, se sentindo "poderosa". Procurando imitar os gestos finos da patroa, sentou-se delicadamente numa mesa perto do bar e pediu o drink. Enquanto esperava, percebeu que um homem bem bonitão, por volta dos 40 anos, a olhava com mais afinco. No começo, ficou um pouco tímida, mas depois pensou (a fim de se convencer definitivamente):"Quem está aqui não é a pobretona da Karen! Tenho que esquecê-la, só por esta noite! Hoje sou rica, sou chique e sexy!" Fingindo naturalidade, resolveu retribuir os olhares sem pudores. Um momento que durou pouco, pois logo o homem se aproximou e perguntou:"Se não estiver esperando por alguém, posso me sentar com você?" Ela já ia dizendo não, afinal aquilo não estava em seus planos, mas lembrou-se novamente de que não era a Karen! Surpreendendo-se com a própria ousadia (que ela pensava não possuir) respondeu de forma sensual:"Na verdade eu estava esperando por você!" O rapaz também se surpreendeu com a resposta. Gostava muito de mulheres assim, diretas no assunto. Começaram um papo muito agradável, e cada vez mais Karen se surpreendia com o homem, que era muito educado, e com ela mesma, que se mostrava desenvolta, elegante e ousada como sempre quis ser mas nunca teve coragem antes.
Já um pouco "alta" com o drink pois não estava acostumada a beber, ela viu que era hora de ir embora. Mas a conversa estava tão agradável... O homem era tão gentil, tão diferente dos pobretões que ela conhecia... Então ela foi se deixando envolver, aceitando mais uma bebida... Ficando cada vez mais "disponível"... até que percebeu que passou da conta. Tentou se levantar para ir embora às pressas, mas não conseguiu dar um só passo. "Deixa que eu te levo embora!", disse o rapaz, com olhar malicioso. Vendo que não tinha alternativa, ela aceitou. Entrou no carro dele e no caminho foi recuperando a lucidez, pois viu muito bem que ele tomou a direção oposta de onde ela morava e, além do mais, lembrou-se de que ele nem perguntou onde ela morava... Caiu em si quando viu que ele parou na recepção de um motel. Deus! Ela nunca tinha ido para um motel em sua vida! Mas para evitar uma gafe, fingindo naturalidade novamente, se deixou levar pela personagem que criou. No fundo ela queria, sim, aproveitar aquele momento, sempre quis, pois não era mais "A Pobretona".
Chegando no quarto, meio sem graça, ela se enfiou no banheiro, talvez para tomar coragem de fazer o que iria fazer. Sabia que aquilo tudo já tinha fugido há tempos de seu controle. Voltou para a cama onde o rapaz, com olhar ansioso e mal intencionado a esperava. Mal deu tempo de dizer palavra, e ele pulou em cima dela como se ela fosse uma presa e já foi logo arrancando sua roupa sem nenhum cuidado. Ela pedia calma, mas ele parecia não ouvir.  A jogou de costas e a possuiu como um animal feroz, com muita brutalidade. Ela, assustada com aquele ato, começou a gritar e se debater, mas de nada adiantava. Ele tampava sua boca com muita força enquanto a humilhava com palavras baixas. Muito arrependida e desesperada, Karen só pensava em Daniel enquanto densas lágrimas rolavam por seu rosto... Aquele homem antes tão gentil, tão educado, se transformara num monstro! Como ela podia ter feito aquilo com seu amor? Justo com Daniel, que sempre foi tão carinhoso, desde a primeira vez... e tinha sido o primeiro e único homem de sua vida...
Ao acabar, o homem caiu para o lado deixando Karen ali, jogada, destruída, humilhada... "Não chore, meu bem, você é muito gostosa!", disse ele com voz ofegante, enquanto acendia tranquilamente um cigarro. Ouvindo aquilo, ela correu para se trancar no banheiro. Não acreditando no que havia acontecido, chorou mais e mais diante do espelho. Entrou no chuveiro e começou a esfregar com violência sua pele, como se se sentisse muito, muito suja. Ficou  tempos no chuveiro, remoendo aquela dor.
Quando saiu, para sua surpresa, o homem não estava mais no quarto. Mas em cima da cama havia um bilhete e seis notas abertas de cem reais:"Geralmente pago 300 para as outras putas, mas você gostosa, eu achei que merecia muito mais."

Gisele Moraes


*Este conto foi baseado em fatos reais. Os nomes foram alterados para preservar a identidade dos verdadeiros personagens.
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