sábado, 7 de novembro de 2009

O caso da universitária de mini-saia

Postado por Gisele Moraes às 16:03
Estamos mesmo vivendo tempos difíceis...
Todos já devem saber do caso da garota universitária que foi à faculdade com um vestido super curto, claro. O caso foi matéria em vários jornais, telejornais e programas de TV. Os vídeos filmados com câmeras de celular pelos "colegas" de faculdade da estudante bombaram na Internet. Foi "o assunto" desde o ocorrido no final de outubro.

O tumulto começou quando Geysi Vila Nova Arruda, de 20 anos, que cursa o primeiro ano de turismo na faculdade Uniban, no campus de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, já em sala de aula, saiu com uma amiga para ir ao banheiro, chamando a atenção dos estudantes pelos corredores. Formou-se então uma absurda aglomeração diante da porta do banheiro, e Geysi foi xingada por  vários estudantes. Ela temeu ser agredida, se saísse.


A direção da escola teve de chamar policiais militares para tirá-la da escola vestida com um jaleco de professor. Os policiais tiveram que ameaçar usar de gás de pimenta para abrir caminho e Geysi teve que passar por estudantes que gritavam: “Puta, puta, puta!” Notem através do vídeo, que as vozes que gritavam eram masculinas em sua maioria.

O que será que está acontecendo? - me pergunto. Como é que estudantes universitários se comportam dessa forma numa época em que (parece) tudo é permitido? Nós rimos quando ficamos sabendo da corrupção dos nossos políticos, assistimos apáticos às guerras e atrocidades desumanas que se comete mundo afora... Tudo é tolerado, tudo é permitido... Ah, menos, é claro, usar mini-saia na faculdade! Ah, isto é demais para os jovens dessa geração! Matar, roubar, corromper, explorar, tudo isso pode! Só não pode usar mini-saia na faculdade!...

Como toda história tem os dois lados, não vou ficar aqui só defendendo a moça, afinal ela não teve o bom  senso de se vestir adequadamente para uma ocasião. Ir de micro-saia para a escola é tão ridículo quanto ir de terno e gravata para a praia. Não acho o caso questão de "moral e bons costumes", e sim questão de "noção do ridículo". Acho que todo estabelecimento público, como escolas, universidades, etc, tem as regrinhas básicas de como se vestir adequadamente para as aulas, e se não tem ali por escrito, é porque deve contar com o bom senso dos estudantes.

Mas, lógico que isso não justifica a selvageria que os colegas cometeram! De jeito nenhum! A moça errou, sim, mas o castigo que lhe impuseram foi infinitamente maior que o erro que ela cometeu.

A estudante falou sobre o assunto:

“Eles estavam possuídos, fiquei com muito medo", disse. “Saí de lá escoltada por seis homens, o mais rápido que pude. Mulheres colocavam celulares na minha cara, corriam atrás de mim, para filmar meu rosto chorando. Os policiais tiveram que me levar até a minha casa.”

“Eu não sou puta, não sou meretriz, e vou voltar para a faculdade. Para mim, é uma questão de honra!”, disse. “E não vou mudar o meu jeito de vestir. Vou continuar usando vestido curto pois isso não é nenhum crime.”

Ela marcou a sua volta à escola para terça, dia 3 de novembro. “Volto mesmo se tiver de ser acompanhada de novo por uma escolta.”

Geysi admitiu que naquela dia estava com uma roupa inadequada para ir a escola, mas justificou que dali ela iria para uma festa. "De qualquer forma, nada justifica o que houve", disse.

“Se eu não voltar para a faculdade, vou assumir uma culpa que eu não tenho.”

Geysi disse a uma emissora de TV que a sua família está indignada. “Minha mãe está tomando remédio para se acalmar. São pessoas simples, sem estudos, e é o meu pai que paga a faculdade, e eu não posso perder esse investimento.”

A estudante tem namorado e trabalha das 9h às 14h há um ano e nove meses em um mercadinho perto de casa, em Diadema, cidade vizinha de São Bernardo do Campo. Ganha R$ 410 por mês. Fidel Pereira, 56, seu patrão, diz que ela é uma funcionária exemplar.
Depois do tumulto, ela não apareceu no trabalho. “Ela aparece quando quiser”, disse Pereira.

A estudante queixa-se do preconceito não só dos seus colegas, mas também dos professores e funcionários, incluindo os seguranças da escola, porque eles, segundo ela, nada fizeram para impedir o tumulto.

Segundo ela, um dos seguranças disse: ‘Você acha que é bonito o que está fazendo?” Geysi contou que foi quando começou a chorar.

Ela acredita que há professores pressionando a direção da escola para que ela seja expulsa. A universidade abriu uma sindicância para apurar os responsáveis pela confusão.

Só a mãe de Geysi compareceu hoje à tarde na reunião marcada pela reitoria da universidade. Inicialmente, a estudante disse que iria, mas, abalada, desistiu. A mãe não disse o que ficou combinado no encontro.

Dezenas de vídeo mostrando o tumulto foram postados no Youtube. A direção da escola está pedindo ao site para que sejam deletados.

Parte dos vídeos reafirma a discriminação à estudante, com xingamentos no título. Outros, a defendem, como um que diz que os estudantes da Uniban são preconceituosos.

Ainda não sabemos o motivo que levou os estudantes a tal selvageria. Qual a verdadeira motivação? Foi inveja? Hipocrisia? Tinham, antes do acontecido, algo contra a garota? Preconceito? Não sei... Talvez tudo isso junto?
[Com informações do Estadão e das emissoras de TV]

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